Maria Miranda: “A escrita é um fogo dentro de mim”

Maria Miranda tem um novo livro infantil: "Toda a Vida Conta". Estivemos à conversa com a autora para saber mais sobre este livro e sobre a sua paixão por livros e histórias.

Como surgiu a ideia de escrever “Toda a Vida Conta”?
Este livro é uma compilação de textos em poesia que escrevi em diversos contextos; candidatei-me a um concurso de poesia infantojuvenil da Cordel de Prata e apesar de não ter ganho, a editora convidou-me a editar este livro. A namorada do meu filho mais velho a Mónica Pereira tem o curso de ilustração e pedi-lhe para desenhar para a história “Será sapo, será Rã” e fiquei logo rendida às suas imagens.

Porquê um livro sobre a temática ambiental?
É uma temática que me é muito querida enquanto ser humano, enquanto educadora de infância e enquanto escritora consigo transmitir as minhas preocupações e trazer algumas soluções de forma a chegar a um maior número de leitores, tenho esperança de chegar a muitos corações, tenho esperança no ser humano.

Qual a mensagem principal que quer transmitir com este livro?
“Toda a Vida Conta” é esta a minha mensagem para o mundo, cabe ao ser humano dar voz a quem não a tem quer por indiferença e invisibilidade aos animais e plantas, quer por mero desconhecimento e há muitas pessoas que nunca olharam para os bichinhos desta forma. Tenho o privilégio de o prefácio ter sido escrito por Joaninha Duarte que neste momento é minha minha professora e amiga pessoal.

O facto de ser educadora de infância teve impacto na criação deste livro?
Este é o 3º livro que escrevo: o 1º foi uma mensagem de esperança a quem viveu cancro de mama, aos seus amigos e familiares, pois esta doença dissemina o próprio e a todos os que o amam; no 2º livro tive necessidade de escrever algo que nunca tinha lido para crianças, uma história sobre os 4 elementos personificados da natureza; “a Senhora do Ar”, a terra, a água e o fogo. E com este 3º livro quis aproximar-me das crianças, apesar de não ser fácil escrever exatamente para crianças, agrada-me um público, como costumo dizer a brincar, crianças-adulto e adultos-criança, pois os educadores de infância podem ser exatamente isso.

tenho esperança de um dia poder voar com os meus livros para muitas escolas

Frequenta a pós-graduação “A arte de contar estórias”, está previsto ir contar esta história pelo País, por escolas, bibliotecas…
Esse é o grande motivo de me ter inscrito nesta pós-graduação, mas o trabalho limita muito os meus horários, mas mais uma vez tenho esperança de um dia poder voar com os meus livros para muitas escolas, bibliotecas, aqui, nas aldeias, no Sul, no Norte e pelo mundo fora.

Como se incentiva o gosto pela leitura, numa era tão digital, onde as crianças preferem muitas vezes os tablets, os telemóveis ou os televisores?
Na sala onde trabalho os livros são reis. Tenho essa missão: conto uma história por dia, convido os alunos a levarem livros para casa e a dada altura vejo muitas crianças a contarem histórias com o livro, a respeitar o livro e até a criarem pequenos livros sobre as suas histórias, tudo isto é um caminho que me dá muito prazer.

Já tinha publicado em 2018 “Contos do Coração”, uma biografia em forma de livro de contos, em 2020 o livro juvenil “A Senhora do Ar”. Agora mais um livro para crianças. Já tem mais alguma ideia pensada para outra obra?
Sim. A escrita é um fogo dentro de mim. Viveu cá dentro a vida toda e desde 2018 autorizei-me a soltar o que sinto através da escrita, trazer cá para fora. Estou sempre a pensar no próximo livro, até já me comprometi com alguns seguidores que está próxima a hora de um romance. Comprei uma casita numa aldeia de Portugal e será lá o encontro com esta ideia. Entretanto irei sempre escrever as palavras que me dita o coração, inspira-me e incentiva-me.

Sobre a autora
Maria Miranda nasceu em Lisboa no ano de 1969, é educadora de infância, licenciada em estudos superiores especializados em expressões artísticas integradas em educação. Neste momento realiza a pós-graduação em “Arte de Contar Estórias”. Apaixonada pela natureza da vida animal e vegetal, mas ainda e sempre uma aprendiz. Começou a escrever quando pensou que a sua vida chegara ao fim o livro de apoio a mulheres com cancro de mama “Contos do Coração”. Mais tarde escreveu e ilustrou o livro infantojuvenil “A senhora do Ar”. Afinal a sua Vida havia apenas começado.

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