Entrevista a Susana Correia

O nosso Camõestrinho esteve conversa com Susana Correia, autora do livro “A Aventura da Pulguinha Aurora”.

Como surgiu a paixão pela escrita?
A escrita sempre fez parte da minha vida e desde tenra idade que me recordo de escrever poemas sobre a lógica das coisas e dos (des)amores da altura. Preferia as letras aos números e era das poucas alunas que adorava as aulas de Português e a interpretação de texto.
A caminhada fez-se com outros passos e durante muito tempo as palavras ficaram guardadas nos diários e, mais tarde, nos computadores. A escrita era minha e para mim, não permitindo julgamentos ou interpretações por parte dos outros. No entanto, a vontade de partilhar as minhas ideias com o mundo começou a tomar forma, porém com a dúvida relativamente ao conteúdo a apresentar.

O que levou a essa mudança?
A resposta chegou de forma muito natural, e em 2017, quando engravidei pela primeira vez, sentindo que, de facto, “tinha em mim todos os sonhos do mundo” decidi criar um blogue sobre a maternidade. Todavia, aquela maternidade crua, sem floreados e romantismos que insistimos em acreditar. Nasce uma mãe, nasce um blogue, e assim nasceu o Pózinhos de Perlimcocó (pozinhosdeperlimcoco.blogspot.com)
O nome suscitou alguma curiosidade, mas era explicado de forma muito visual:
em todo o amor e pózinhos de magia que existem na maternidade, existem também uns “cocózinhos” menos fáceis de tolerar, ou seja, nem tudo são unicórnios coloridos e fadas com asas de duende. Fiel à minha pessoa, fui livre de escrever para os outros como se estivesse a escrever para mim, sem filtros e com o uso e o abuso da ironia e do sarcasmo que sempre me caracterizaram.

A Aventura da “Pulguinha Aurora” conta uma história de amizade, do espírito de entreajuda e da aceitação das diferenças

E como surgiu o livro “A Aventura da Pulguinha Aurora”?
Anteriormente à gravidez tinha começado a escrever um livro infantil, contudo, não o concluí. Talvez por ainda não ser mãe me faltasse tato para o tema. Com a chegada do meu amor mais precioso — a minha Maria Clara —, e entre fraldas sujas, noites mal dormidas (que se arrastaram durante 2 anos) e biberões, peguei novamente nesse conto e em 2019 nasceu o meu segundo “bebé” – “A Aventura da Pulguinha
Aurora”. Conta uma história de amizade, do espírito de entreajuda e da aceitação das diferenças, e surgiu em forma de legado para a minha filha. Confortava-me a ideia de lhe deixar escritos os valores que lhe queria transmitir, e que gostava que sempre fizessem parte da sua vida, mesmo quando eu já não estivesse por cá para encaminhá-la na melhor direção.

E como tem sido feita a divulgação do livro?
Fiz várias apresentações do livro em bibliotecas, escolas, colégios privados, feiras do livro, rádios e associações através da Bata Contadora de Histórias e dos Dedoches. Um teatrinho era encenado à medida dos pequenos espectadores e a história era contada de uma forma muito divertida. Foi um sucesso e genuinamente gratificante poder contar com um público tão honesto e autêntico em que eu recebia muito mais do que aquilo que dava. Conseguir aliar o teatro, enquanto outra das minhas paixões, à escrita, foi a cereja no topo de um bolo que era já delicioso.

E a pandemia mudou alguma coisa nesse processo?
Infelizmente, devido ao vírus e consequente quarentena, muitas apresentações foram canceladas, impossibilitando uma maior divulgação do projeto e outras vertentes do mesmo, como as festas de aniversário. A ideia surgiu-me depois de ter ficado sem férias para gozar no meu trabalho, impossibilitando as apresentações durante a semana. Era, portanto, fundamental continuar a levar a Pulguinha Aurora às crianças, mas num horário compatível com a minha outra ocupação. Assim nasceu o “Aniversários com a Pulguinha”, em que o teatro era feito nas festas da criançada e os pais juntavam a diversão com a educação. Um projeto vencedor que teve de ficar arrumado na gaveta, mas que acredito que, a seu tempo, voltará.

E nesse período da quarentena surgiram outros projetos?
Aproveitando a quarentena, dediquei-me à escrita e ao enriquecimento dos meus conhecimentos. Para juntar às formações anteriores, fiz um curso de escrita durante 12 semanas, escrevi um conto sobre o tema (quarentena), participei numa coletânea com o conto “Por ti”, uma história sobre os vários tipos de amor e as consequências da violência doméstica, e dois contos infantis. Um desses contos é uma versão em poema do meu primeiro conto: Aurora Pelo Mundo Mágico da Amizade e foi ilustrado pela Marta Sequeira e pelo filho Guilherme Sequeira Muralhas e está à venda na Amazon.es.
Este projeto, sendo uma versão do primeiro livro, foi criado com o objetivo de contar a mesma história a crianças mais pequenas, e, pensei eu, porque não ajudar? Desse modo juntei-me a uma causa social, e 1€ da venda do livro reverteu para a Morning Smile with Constançança, uma menina da idade da minha filha, que é portadora de uma doença rara. O projeto foi um sucesso e altamente gratificante. A Constança agradeceu, mas fui eu quem ficou eternamente grata por puder ajudar. Ganhámos tão mais com aquilo que damos, do que com o que recebemos.

E o conto “De Pernas para o Ar”?
O segundo conto produzido durante a quarentena de março é o que estou a publicitar neste momento:
“E se as vacas começassem a voar, os peixes a escalar árvores e os macacos aprendessem a nadar? Consegues imaginar que confusão seria? Ou acharias engraçado? Ai, ai! Que barafunda! Foi exatamente assim que se sentiu o Dinis quando sonhou com um mundo de pernas para ar. O que aprenderá ele com este sonho? Atreves-te a descobrir? E tu, já sonhaste com mundos diferentes?”
Este livro foi totalmente ilustrado pela Isa Silva e publicado, também, através da Amazon. Neste momento está na fase de promoção e da estrutura das apresentações. Desta vez não será através da Bata Contadora de Histórias, pois enquanto segundo projeto sinto uma responsabilidade acrescida perante o meu público, sendo imperativo proporcionar-lhe alguma inovação, todavia posso garantir que será igualmente original e divertido.

E para quando dedicar-se totalmente à escrita?
Atualmente, (ainda) não faço da escrita a minha principal ocupação. Quem está por dentro desta indústria sabe o quão difícil e ingrata ela pode ser, contudo, os passinhos estão a ser dados para que tal possa acontecer um dia, e dessa forma, concretizar mais um sonho.

Mas tem mais projetos na escrita?
A par destes projetos pessoais, da minha atividade profissional e do trabalho de mãe a tempo inteiro, também colaboro com a plataforma de notícias online Repórter Sombra.

Mais histórias
Vamos aprender com os dinossauros?