Entrevista a Analita Alves dos Santos, autora do livro “Os novos ajudantes do Pai Natal”

O nosso Camõestrinho esteve à conversa com a autora Analita Alves dos Santos que recentemente escreveu o livro “Os novos ajudantes do Pai Natal”. Falámos sobre a sua obra, mas também sobre o papel dos pais no processo de consciencialização para a importância da leitura.

Como surgiu a ideia de escrever um livro de Natal?
A ideia desta história surgiu numa das noites em que estava a adormecer as minhas filhas durante o período do primeiro confinamento da COVID-19. A Maria Inês pediu-me para contar uma aventura com unicórnios e a partir desse mote a história começou a criar vida, primeiro na oralidade. Como elas gostaram tanto decidi passá-la para o papel. Na verdade, esta história pode ser lida em qualquer altura do ano, mas é no Natal que o cenário é mais propício.

Por quê misturar dois mundos? Os unicórnios e as renas do Pai Natal? Uma mistura um tanto diferente daquilo a que estamos habituados…
É este o poder da fantasia e das histórias: a imaginação não tem limites, tudo é possível, até um unicórnio sonhar conduzir o trenó do Pai Natal.

Todos os seus livros infantis têm uma mensagem. Considera que é importante que as crianças aprendam sempre alguma coisa quando estão a ler um livro? O livro não pode ser só para entreter?
Os livros desempenham diversos papéis. Há livros puro entretenimento, outros pedagógicos e outros que transportam mensagens de forma subtil. No meu caso, gosto de conciliar o entretenimento com uma mensagem, mas não de forma moralista ou demasiado óbvia. Nesta história as crianças conseguem perceber pelo gesto dos amigos da Brilhante a importância da amizade. Não digo isso, mas a mensagem está lá. O mesmo acontece com o poder dos sonhos: são os atos das personagens que transmitem isso.

Onde e como se pode adquirir o livro?
O livro está à venda online, nos locais habituais. Também é possível encomendar em https://oprazerdaescrita.com/livros/ com uma dedicatória personalizada.

Prefere a escrita para crianças ou para “adultos”?
São dimensões diferentes da minha escrita, exercícios distintos de criatividade. É difícil dizer de qual gosto mais. A escrita para crianças possibilita-me estar junto dos mais pequenos, alimentar a criança que existe em mim e simultaneamente contribuir para a formação de novos leitores, algo que eu acredito ser essencial para uma vida mais rica; a escrita para adultos permite-me explorar outras dimensões das palavras, diferentes emoções, reflexões e sentimentos.

Ler é essencial para o êxito em quase todas as disciplinas e na vida profissional futura

Costuma dinamizar sessões em escolas. Como é lidar com esta nova geração? O interesse pelos livros ainda existe?
É necessário incentivar a leitura e o gosto pelos livros desde muito cedo. O gosto pela leitura não é inato, é algo que se aprende e o exemplo dos pais é muito importante. Costumo dizer aos pais que «não gostam de ler» que iniciem de qualquer forma as suas crianças na leitura. Ler é essencial para o êxito em quase todas disciplinas e na vida profissional futura. Ler ajuda a raciocinar melhor, a adquirir uma melhor expressão escrita e oral. A leitura torna as pessoas mais empáticas e precisamos de uma sociedade mais consciente e preocupada com o Outro.

Como se desenvolve o gosto pela leitura numa criança na era digital onde tudo tem de ser imediato?
Como referi, o exemplo dos pais é crucial, mas se os pais não apreciam livros, que tenham pelo menos o hábito de ler às suas crianças uma história ao deitar. Colocar os livros desde cedo à disposição das crianças faz toda a diferença: livros no quarto, na sala, fazer dos livros um objeto do dia a dia. Também se pode criar momentos de leitura obrigatória: dez, quinze minutos por dia, até que o hábito da leitura fique instalado. É a consistência que trará verdadeiros resultados.

Acha que é importante trabalhar com os pais para sensibilizar para a importância da leitura? Ou esse trabalho já está feito?

É muito importante começar por sensibilizar os pais, pois muitos não têm (ainda) o hábito da leitura. Como ativista literária e curadora de um clube de leitura procuro incentivar quase diariamente a leitura junto dos adultos para que estes possam depois também passar esse gosto para os seus filhos. As ações que dinamizo nas escolas têm igualmente o objetivo da promoção da leitura e do gosto pelos livros. Enquanto mãe de duas crianças pequenas espero sinceramente que o meu exemplo contribua para a criação de duas leitoras compulsivas como a mãe.

Projetos para o futuro? Para quando formações/cursos sobre escrita para crianças?
Comecei a escrever ficção e a publicar relativamente tarde (aos quarenta e cinco anos), por isso tenho sempre em mente a frase de José Saramago «Não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.» A minha intenção é publicar todos os anos uma nova obra infantil e outra para adultos, além das coletâneas de contos onde participo como autora e coordenadora. Neste momento, estou a finalizar o meu primeiro romance e a planear o próximo livro infantil, o segundo título da coletânea «A Irmandade da Rocha» que aborda a temática da preservação dos oceanos. Espero em 2022 retomar o clube de escrita criativa para jovens que dinamizei na
Biblioteca Municipal Manuel Teixeira Gomes, em Portimão. O meu programa «Escrita em Ação» continuará em 2022 com as suas três edições anuais e estou a preparar mais novidades no âmbito da escrita. A mais recente é o WRITERS PLANNER, a primeira agenda em português pensada exclusivamente para o ofício da escrita e o incentivo à leitura. Na verdade, esta paixão pelos livros e pela escrita empurra-me todos os dias a construir um futuro onde as palavras são tudo.

Sobre a autora

Analita Alves dos Santos nasceu na Alemanha. É escritora, ativista literária, curadora do clube de leitura «Encontros Literários O Prazer da Escrita», mentora do Concurso de escrita criativa Poeta António Aleixo e diretora da revista literária «Palavrar – Ler e escrever é resistir». Escreve mensalmente como colunista para diversas publicações. Publicou dois livros infantis: “A Irmandade da Rocha” e “Os novos ajudantes do Pai Natal”. Coordenou várias coletâneas de contos onde também participou como autora: “O tempo das palavras com tempo”; “Não vão os lobos voltar”; “Que o caminho não nos fuja”. A juntar a esta dimensão é Mãe a tempo inteiro (como se fosse possível ser Mãe a tempo parcial…). Mãe de uma Maria Matilde e de uma Maria Inês que a inspiram todos os dias a escrever histórias com significado.

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